Nos últimos dois anos, observou-se um aumento do volume de consultas e tratamentos relacionado com o estilo de vida moderno: stress crónico, défice de sono, excesso de exposição aos ecrãs, teletrabalho e fadiga visual. O uso prolongado de dispositivos digitais acaba por favorecer uma tensão muscular contínua na região periocular e frontal, alterações prolongadas do descanso e um aumento do stress oxidativo, o que pode acelerar os sinais visíveis de cansaço facial.
Para os médicos estéticos, os pacientes que recorrem a um centro de medicina estética descrevem normalmente esta situação como uma aparência física cansada, apesar de “sentirem que estão bem”.
Podemos afirmar que o “efeito rosto cansado” está associado a múltiplos fatores. Por um lado, ao processo natural de envelhecimento, que implica uma perda progressiva de colagénio, elastina, suporte ósseo e compartimentos adiposos faciais. Isto gera perda de firmeza, descida dos tecidos e alterações na qualidade cutânea. Por outro lado, “a exposição contínua à luz azul, o sedentarismo, uma alimentação inadequada e os processos inflamatórios associados ao stress podem afetar a microcirculação cutânea e a qualidade da pele, fazendo com que o rosto perca luminosidade e frescura”, explica a Dra. Andrea Valladares, médica estética especialista em harmonização facial, acrescentando: “Atualmente, existe claramente um aumento das consultas por este motivo, especialmente em pacientes que não procuram ‘mudar’ o rosto, mas sim parecer mais descansados, frescos e saudáveis.”
Os primeiros sinais são cruciais para detetar que algo está a mudar no nosso rosto. Entre os mais frequentes encontram-se: olhar cansado, olheiras e afundamento do sulco lacrimal, descida subtil dos tecidos faciais, linhas de expressão marcadas mesmo em repouso, alguma perda de luminosidade e flacidez facial.
Para a especialista: “Os primeiros sinais surgem geralmente na região periocular e no terço médio da face. Nas fases iniciais, estas alterações podem ser subtis, mas anatomicamente já existe uma perda de suporte estrutural e uma alteração na qualidade da pele. Por isso, a medicina estética moderna centra-se cada vez mais na prevenção e na reparação, e não apenas na correção das rugas visíveis.”
Conselhos da especialista para evitar um rosto cansado:
A prevenção deve ser abordada de forma integrada. Não depende apenas de tratamentos médicos, mas também do estilo de vida. Entre as principais recomendações destacam-se:
- Dormir adequadamente e melhorar a qualidade do descanso
- Utilizar proteção solar diariamente
- Alimentação equilibrada rica em antioxidantes
- Hidratação adequada
- Não fumar
- Controlar o stress crónico
- Praticar exercício físico regularmente
- Evitar o excesso de tempo em frente aos ecrãs e cuidar da saúde visual
“A nível médico, podemos dizer que os tratamentos mais recomendados atualmente são aqueles que melhoram a qualidade da pele, estimulam o colagénio e restauram o suporte facial sem modificar a expressão natural do rosto. São os já conhecidos tratamentos não invasivos”, refere a Dra. Andrea Valladares.
Tratamentos não invasivos para o “rosto cansado”, segundo a Dra. Andrea Valladares:
1. Ultrassons microfocalizados de alta intensidade (HIFU):
Recomendo a utilização de uma tecnologia como o HIFU Liftera, que atua em planos profundos, estimulando o colagénio e gerando um efeito tensor progressivo. Ajuda especialmente a melhorar a flacidez, redefinir o oval facial e proporcionar um aspeto mais descansado sem necessidade de cirurgia nem longos períodos de recuperação. Além disso, contribui para melhorar progressivamente e de forma natural a qualidade cutânea e a firmeza dos tecidos.
2. Reestruturação facial com ácido hialurónico respeitando a anatomia facial:
Com o passar do tempo, ocorre uma perda progressiva do suporte ósseo, dos compartimentos adiposos e da estrutura facial. Através da utilização estratégica e anatomicamente planeada do ácido hialurónico, é possível restaurar pontos de suporte do rosto de forma natural, proporcionando sustentação ao terço médio da face e melhorando zonas-chave relacionadas com o “efeito rosto cansado”, como a descida malar e o afundamento do sulco lacrimal. O tratamento direto e corretamente indicado do sulco lacrimal pode ajudar a diminuir a aparência de olhar fatigado e devolver frescura ao rosto, respeitando sempre a anatomia, as proporções e a expressão individual de cada paciente.
3. Terapia de pró-reparação celular e tecidular:
Atualmente, a medicina estética evolui para uma abordagem mais regenerativa e preventiva. Tratamentos como os indutores de colagénio e os complexos polirrevitalizantes ajudam a estimular os mecanismos naturais de reparação celular e regeneração tecidular. Estas terapias melhoram a qualidade cutânea, a hidratação, a elasticidade e a firmeza da pele, além de promoverem uma pele mais luminosa, saudável e resistente ao envelhecimento e ao stress oxidativo. São especialmente úteis em pacientes com pele baça, fatigada ou com sinais iniciais de envelhecimento.
A medicina estética baseada em evidência científica não procura mudar o rosto, mas sim devolver frescura, luminosidade e uma aparência descansada, mantendo sempre a naturalidade facial.
